quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

TENHO VIDA!


    
                               1ª parte
Já me apaixonei um quintilhão de vezes
Minto! Não tanto não
Muito, mas, muito digo tão tanto
Porque é palavra que chama
Gosto de “quintilhão” forte!
Mas fato me apaixonei um bocado
Nem sempre com resultado, pranto
Que é meu jeito, talvez Caribé
Que sou na linhagem de minha mãe
Turma com sangue no olho, né?
Mesmo que via leve mão com mão
Minha mãe olhando o velho meu pai
Que devolvia sorriso debaixo do bigode basto
Ali paixão não: Amor, Caribé e Azevedo
Gentes muito diferentes juntos um nome
Pra renca de filhos um nome nos cai.

Vasto o meu coração muito se derramou
Várias vezes, já me afogueei e digo
Umas duas não mereciam sei
Mas é de risco essa coisa de gostar
E nem sempre o alvo é luz, persigo sigo
Escuro escusos caminhos do aprender corações!

Os pais ensinaram o caminho reto
Lição, trilha, direção, tortuoso sou filho,
Sorrio na dor quando posso correto
Gargalho mor do tempo troncho trilho...
Não vou inventar sofrer se tenho vida!
               

                TENHO VIDA
                               2ª parte
Vivo! Surpreendo-me de quando em vez
Estar aqui senciente sentindo: Vivo!!!
Viver é como participar de uma lenda
Escutar em língua estranha sem legenda.

Às vezes me bate uma tristeza
Fraca por mansa morna, mas como sol
Aquele a pino meio do dia beleza
E sei que é saudade e de quem, sorrio: Oh!
Mesmo que de que nem sempre não saiba.

Rosto, ginga, jogo, gozo tão caro
Estrela na noite, sol no rosto, faro
Farejo: o tempo passou, se foi lesto
Discuto não que indiscutível, foi presto
As coisas deixam marca nada demais
Impressa na memória, mas vão, são tais
Como são sim, sendo firmes feitas de adeus!

Inda assim sim, ainda, memória... linda!
Por linda meu coração transborda
Mas inda que aperta, cancela, dói se finda
Não vou inventar sofrer se tenho vida!

                TENHO VIDA!
                               3ª parte
Carece não fingir dor, mas fazemos
Criar donde não tem em nós é arte
E muito nos dias e noites em parte
Podemos não viver ou não dormir
Por estar no escuro do sentir...

Por isso é bom tudo viver (vivi)
Na justa medida – não que sempre
Mas sempre o que ser sentir em si;
Sempre não se faz o que apraz mas
Porém talvez, quiçá, fazer tenência de.

Dor amargo manga jaca dura suor
Saudade melancolia colchão fofo brilhante
Pitanga amora doença dor doce calor
Jabuticaba curva chuva cachoeira cintilante
Jambo branco lágrima som espinho no pé
Veja: não há outra chance que estar presente
Isso é isso nada mais que isso existir é.

Estar aqui, ser, em cada coisa e momento
Sem opção, que nada mais ser que estar aqui
Preocupa não! Vai passar passa, será?
É sim sempre... existir é ser trespassado
Pelo que se quer, não quer, desejo também
Dizer o anseio e não – amarrado – e esperar...

Saudade melancolia tristeza
Beleza alegria grandeza
Diria: coisas da vida.

E...
Não vou inventar sofrer se tenho vida!
                Em fevereito/19

Nenhum comentário:

Postar um comentário