Foi Gilsinho quem me contou na feira, hoje mesmo, aqui do
Vale do Capão, entre as conversas de preocupação com os incêndios (que pra
Deli, só vão parar mesmo na hora em que a chuva pare de só beijar de passagem
os campos e fique um pouco mais acariciando as serras), vendendo um cafezinho para
um, para outro, e bolos e pão de queijo que Dalva faz feliz.
Gilsinho é dessa gente cuja conversa nunca é de se jogar fora,
mas muito de verdade que fala o faz disfarçado em riso e piada. Por isso diz o
que crê e pensa, o que quer e pode, sem ofender. É homem de não ferir ninguém,
evita, não por medo, mas por natureza própria. Disse para mim que quem falou para
ele foi o pai, que por usa vez aprendera de um velho bem velho amigo.
Primeiro me perguntou (e aos demais ao redor) quem é o dono
do corpo e eu (e ninguém) soube responder. Então explicou que cada órgão um dia
contava para todos saberem suas funções e qualidades. A boca falou do comer e
do falar, o nariz do respirar e saborear o cheiro das coisas, os ouvidos dos
sons e do alerta que podem trazer, a cabeça do elaborar os pensamentos que no
corpo crescem e por aí vai... apenas o 150 calou, mas agiu e se fechou.
E o corpo ficou um tempo sem descomer. Adoeceu, inchou,
sofreu, e foi piorando e piorando. Enquanto se “distinhorava” o médico foi
chamado e percebeu o mal.
Com muito cuidado abriu o ânus e este permitiu o
esvaziamento do corpo. Foi assim que todos os órgãos tiveram que render
homenagem ao dono do corpo, o cu.
Recebam um abraço em gargalhada de Aureo Augusto.