sexta-feira, 10 de setembro de 2021

 

RAZÃO E CONFLITO

Estamos vivendo momentos difíceis no nosso planetinha e no Brasil, não é diferente. Tal como em outros lugares, estamos frequentemente divididos em grupos irreconciliáveis, incapazes de sequer ouvir o que o grupo oposto tem a dizer. Todos têm razão.

E esse é o problema!

Quando era bem jovem, ainda na adolescência, li um livro que marcou a minha vida e minhas escolhas desde então: “Anatomia da Paz” de Emery Reves.  Neste livro, o autor nos mostra os argumentos dos franceses, dos alemães, dos ingleses sobre suas motivações para ir à monstruosidade que ficou conhecida como Segunda Guerra Mundial. Todos tinham razão por isso a guerra.

Todos estavam com a verdade... e esse é o problema!

Nos ensina Anna Arendt que a pior forma de totalitarismo é o governo da verdade. Sim. Quando um determinado grupo político assume o poder, considerando-se único dono da verdade, todo o que discordar estará cometendo um crime de “lesa verdade”. Afinal a verdade é indiscutível. Mas quem em sã consciência se considera dono da verdade?

Religiões, partidos, grupos políticos, organizações sociais – muitos foram aqueles que se apossaram da verdade sem se dar conta de que esta suposta verdade não passava de opinião, ou seja, de ideologia. Uma ideologia é uma guia, jamais a palavra final (será que há palavra final?).

No fatídico século XX, as pessoas que queriam melhorar a vida dos seres humanos brigavam com palavras e atos – os mais escabrosos, às vezes – porque haviam aprendido que havia 2 grupos, o meu, que estava coberto de razão e o dos inimigos. Assim, a gente de esquerda chamava os outros de porcos chauvinistas enquanto a turma da direita dizia dos esquerdistas que eram criminosos que queriam o fim da pátria, da família etc.

No presente século, me pareceu que havíamos abandonado tais dicotomias, mas elas renasceram com força. Continuamos infantilmente acreditando nos contos nos quais havia um mocinho ‘só mocinho’ e um bandido ‘só bandido’.

Não nego que existem pessoas bem ruins, enquanto a maioria de nós somos seres mais voltados para o bem (embora o mal seja parte de todos). Mas continuamos escondendo a nossa sombra para poder, sem querer, vê-la no outro.

Lembro na década de 1970 quando estava na rua lá em Salvador, encontrei um amigo muito querido, bem mais velho do que eu. Ele estava de paletó e gravata pois trabalhava na IBM – e era exigência da empresa – eu usando uma roupa bem hippie. Conversamos animadamente e nos despedimos. Estávamos diante de um restaurante bem frequentado pelos universitários naquela época, o Avalanches. Fui em seguida ao restaurante e lá estavam amigos meus, que logo me questionaram por eu andar aos abraços e conversação animada com um burguês de paletó e gravata. Fiquei chocado, pois tinha amigos de tudo quanto era jeito, desde minha gente do bairro do Uruguai, onde nasci, até o povo rico o bastante para não saber o que era bairro do Uruguai.

Não via nada mais do que amizade! Não contemplava a ideologia; o amor, incluso o amor amizade não conhece ideologias. Por sorte segui com meus amigos e não me filiei a ideologias – o que não me impediu de julgar outras pessoas em outras situações coisa que mais tarde vi como era uma bobagem sem tamanho (o que não significa que não continue fazendo essa bobagem).

Ninguém tem só um lado em seu corpo. Temos um lado esquerdo e um lado direito, e é isso que nos forma! Escutemos ambos os lados, escutemos ao que está à frente e atrás, em cima e embaixo, ou seja, escutemos com o coração.

Aureo Augusto, em 07ago21

 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

 

UMA MINHA DECLARAÇÃO DE AMOR

Gosto do cheiro dos livros! Amo os livros que sempre me contam de tudo o que não sei e me fazem pensar no como é bom o tempo que faço na minha vida para estar sempre pronto a aprender mais e mais de novo e sempre mais.

Os livros me ensinam que ainda não raspei a superfície, não aprofundei mais do que um nada do que há a saber do tanto desse mundão. Os livros me dizem que até o último dia de minha vida não vai haver aquela coisa de achar um porre viver, simplesmente porque sempre há novidades a saber. Sempre nunca vai faltar mais coisa e mais pra saber!

Os livros me atraem e me dou conta de que todo estudioso, curioso, cientista, seja quem for que queira aprender é uma espécie de fofoqueiro. Sou um fofoqueiro que vive futricando a vida, perscrutando os silêncios do Universo, tentando entender os vazios do conhecimento.

E o legal é que não há pressa, o melhor é que não há que correr nem decorar, há apenas que entender pois que, no final, não vou ter que fazer uma prova final... isso é o melhor!

No final só me será perguntado – ou, dito melhor, só me perguntarei – se vivi. Entenda, a pergunta não se refere a sobreviver, não trata de comer e ter uma casa, não apenas pagar as contas e coisas assim que são importantes e necessárias. Enfim, a pergunta trata de se eu vivi, experimentei, sofri e me alegrei. Os livros me falam...

Trato de escutar!